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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Para Crianças e Adultos

Lembro-me de ter dito certa vez a um amigo admirador de livros que nós nunca nos esquecemos dos contos de fadas; talvez eles ainda estejam guardados com muito carinho nas nossas lembranças, em algum lugar secreto nas nossas mentes. Não me lembro o motivo que me levou a dizer isso. Mas sei que acredito no que disse.




No volume único de As Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis nos deixou um texto anexo intitulado "Três Maneiras de Escrever para Crianças", em que relatava, entre outros assuntos, o seu próprio método de escrever. Lê-lo me deixou fascinada. Me fez lembrar das minhas primeiras experiências com livros, do quanto as páginas, fossem brancas ou amareladas, me fizeram companhia e me ensinaram coisas incríveis nos últimos anos. E tudo começou na infância, com os mesmos contos de fadas que todos nós conhecemos quando crianças...
Não sei se outras pessoas se sentem como eu, mas tenho uma grande nostalgia desse tempo, e de tudo o que me influenciou a ser a mesma pessoa que sou hoje.
Coisa de criança? Infantil? Por favor! Abandonem já essas classificações! Histórias de crianças também podem ser lidas por adultos! Não é à toa que algumas delas se tornaram grandes clássicos da literatura mundial, sendo lidos por milhares, talvez milhões de crianças - e também adolescentes e adultos - em todo o mundo através dos séculos! Entre eles estão Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe.
Incentivo a leitura de alguns destes livros maravilhosos, por pessoas de qualquer idade, origem, condição social, credo ou etnia. A aventura de voltar à infância e retomar a imaginação dos primeiros anos de vida é uma experiência fantástica para qualquer um. São leituras leves, de fácil entendimento, e muito agradáveis, trazendo de volta os sonhos, as ideias incríveis, as fantasias que um dia alimentamos e que pensávamos estarem esquecidos há muito tempo.
A imaginação é sem sombra de dúvidas o melhor da infância. Relembrá-la depois de alguns anos é maravilhoso!



Deixarei abaixo uma pequena lista de alguns dos livros ditos "infantis" que li e que recomendo para todos, independente da idade.

- Alice no País das Maravilhas




















- O Pequeno Príncipe 

















- O Fantástico Mistério de Feiurinha


















- Pollyanna

















- O Jardim Secreto
















Estes são apenas alguns exemplos, mas existem muitos outros, talvez não tão populares assim, mas que podem estar nas prateleiras de velhas bibliotecas e coleções, esperando por alguém que venha novamente se encantar com suas histórias.




Por: Lethycia Dias

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Homenagem aos Professores




É importante lembrarmos que dia é o dia de amanhã. E qual seria mesmo? Não se esqueçam, 15 de outubro: Dia do Professor. Talvez a data passe despercebida para algumas pessoas, mas não deveria ser assim...
O que seria do médico, do advogado, do engenheiro, do escritor, do arquiteto, do jornalista, e de tantos outros profissionais não menos importantes, se não fosse pelo professor que lhe ensinou as primeiras letras, que lhes mostrou o alfabeto e os ajudou a construir as primeiras frases, os acompanhou até o fim do Ensino Médio, ou até o último semestre do Ensino Superior? O que seria de um país, enfim, onde não houvessem professores?
Talvez, principalmente nós que somos jovens, às vezes nos esqueçamos da importância daquele que todos os dias entra na sala, e convive conosco o ano inteiro, e nos diz coisas às quais não damos ouvidos. Mas a verdade é que um dia nos lembraremos dele, lembraremos do que ele ou ela nos disse, veremos que tinha razão. Nós é que não sabíamos de nada. E, afinal, o que saberíamos sem eles?
Tive alguns bons professores, e sei que me lembrarei deles no futuro. Não apenas daquilo que eles me ensinaram em Química, Matemática, Português, História, Geografia e tantas outras disciplinas. Talvez eu me esqueça disso tudo. O que vou me lembrar realmente é das coisas que aprendi e que não faziam parte dos componentes curriculares. Porque o professor é na verdade o profissional mais importante em um país, pois sem a educação não há futuro ou esperança para uma nação.
E por falar em futuro e esperança, não devemos apenas nos lembrar deles. Devemos nos lembrar de respeitá-los, homenageá-los, ser gratos a eles. Eis uma coisa que falta ao Brasil. Neste Dia do Professor, vamos todos pedir por mais reconhecimento àquele que forma toda a sociedade. Não trata-se apenas de salários melhores. Quem dera se a questão se resumisse a isto! Trata-se também de respeito, de carinho, de agradecimento. Vejo em muitos lugares jovens que dizem que jamais seriam professores. Por que será? Porque sabem que o professor hoje em dia não tem o menor valor no Brasil. Digo que isto está errado. Se algo precisa mudar na nossa sociedade, então mudemos a consciência das pessoas, façamos com que se lembrem de que ainda estariam presos à ingenuidade e à ignorância, à cegueira do não-saber, se não fosse pelos professores. Porque sem eles, esta província chamada Brasil nada seria!


Obrigada, professores! Que neste 15 de outubro todos vocês possam sentir renovado dentro de si mesmos o ideal de transferir conhecimento, pois aquele que ensina, só pode ensinar bem, se houver amor naquilo que faz!



Educação é aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou.

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor.

Um professor é a personificada consciência do aluno; confirma-o nas suas dúvidas; explica-lhes o motivo de sua insatisfação e lhe estimula a vontade de melhorar.

O professor sábio sabe que cinquenta e cinco minutos de trabalho mais cinco minutos de risada valem o dobro do que sessenta minutos de trabalho invariável.

A tarefa essencial do professoror é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer.

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.











Por: Lethycia Dias

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Através do Tempo e do Vento

Creio que nada possa fazer um bom leitor mais feliz do que encontrar o livro que o prenda desde a primeira até a última página, e que o marque de diversas formas. Como um dos meus objetivos neste blog é divulgar bons livros e boa música, tenho que pedir licença para falar dessa obra que li ao longo de dois meses e que me fez ficar acordada até tarde, com a luz acesa, lendo o tempo inteiro.
O Tempo e o Vento, obra literária de Érico Veríssimo, entrará para a lista dos mais incríveis livros que já li. A série, dividida em três volumes - estes divididos em sete livros no total - estava na biblioteca da escola onde estudo, e sempre me chamaram muito a atenção, até o dia em que decidi lê-los, e me surpreendi. Os três volumes, O Continente, O Retrato e O Arquipélago, contam a história do estado do Rio Grande do Sul  e do Brasil ao longo de 200 anos. Sim, duzentos anos de história contados em forma de romance, com personagens marcantes, como Ana Terra, Bibiana, o Capitão Rodrigo e seu bisneto, Dr. Rodrigo.





Tudo começa quando uma mulher grávida chega a uma colônia de padres jesuítas e índios, no território dos Sete Povos das missões, em 1745, quando a região do Sul do Brasil ainda era pouco habitada, e disputada pelos índios, portugueses e espanhóis. A mulher dá à luz o índio Pedro Missioneiro, que presencia as lutas de Sepé Tiaraju, herói local, e vê sua aldeia ser destruída. Pedro, então, conhecerá Ana Terra, filha de Maneco Terra, comerciante de mulas de Sorocaba, que encantou-se pelo Rio Grande de São Pedro, e recebeu uma porção de terras, para onde se mudou com a família. Com o índio, Ana Terra tem um filho, que também se chamará Pedro, e após ter a estância invadida e saqueada e seu pai e irmão mortos por castelhanos, Ana Terra terá que ir embora com o filho, a cunhada e a sobrinha, partindo para o povoado  de Santa Fé, que começa a surgir. A trajetória da família acompanha a transformação do povoado em cidade, até o tempo do Estado Novo (1945).

A neta de Ana Terra, Bibiana, apaixona-se pelo forasteiro Capitão Rodrigo, um homem que amava a vida de todas as formas, e a partir daí é formada a família que habitará o Sobrado.
Segue abaixo uma árvore genealógica da família, desde as origens de Ana Terra e Pedro Missioneiro, até Floriano Cambará, que duzentos anos depois escreverá o romance que conta a história da família.
























A série conta diversos fatos históricos, entre eles, a Revolta Farroupilha (1935), o Primeiro(1822-1831) e o Segundo(1831-1889) Impérios, a República Velha e a Revolução de 1930, sempre destacando de forma explícita o modo de vida do gaúcho.
As mulheres de O Tempo e O Vento são sempre muito fortes, como Bibiana, que luta para reconquistar o terreno da casa onde cresceu e onde mais tarde foi construído O Sobrado, que resiste a dois sítios à sua própria casa, vendo o filho morrer à sua porta e vivendo quase até os cem anos. Seu bisneto, o Dr. Rodrigo, também é visto como um grande personagem, com sua história contada em O Retrato (o título refere-se ao retrato do personagem pintado quando este tinha vinte e quatro anos, que chamava atenção na cidade de Santa Fé), fazendo parte da política local e atuando de forma contraditória, sendo um homem que vivia como podia, apesar de acabar traindo seus ideais.


O Tempo e Vento teve várias adaptações para a televisão, primeiro como seriado da TV Excelsor, um ano depois da publicação de O Arquipélago (1967), exibido às 21:30h, com 210 capítulos. Mais tarde, em 1985, O Continente foi minissérie da Rede Globo.



Monumento em homenagem a Sepé Tiaraju, na cidade de São Luiz Gonzaga, RS




segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Brasil Acordou








Antes eu me restringi aos acontecimentos da minha própria cidade, mas agora preciso escrever também sobre este fenômeno sensacional que tomou conta de todo o Brasil, esta mobilização que mostra a tomada de uma nova consciência do brasileiro.
Há duas semanas estou assistindo assiduamente ao Jornal Nacional e ouvindo o Papo Cabeça, programa de discussões da Rádio Interativa, de Goiânia.
Primeiro eram protestos isolados, cada um em sua cidade, noticiados apenas pelos jornais locais. Então, em São Paulo, as pessoas se mantiveram unidas por quatro dias seguidos. A coisa estava mudando de figura. As outras cidades começavam a "apoiar" São Paulo, sem deixar de apresentar suas próprias reivindicações.
Mas o que está acontecendo realmente no Brasil?



Eu digo o que está acontecendo...
Estávamos anestesiados, dopados por uma sensação de estabilidade, uma falsa ideia de que "estava tudo bem". O governo, pensando que passaria despercebido, cutucou nossa ferida que mais doía. O Brasil não e um país sem pobreza, não é um país onde a grande massa não sofre. Muito pelo contrário... Tínhamos que fazer alguma coisa. O brasileiro já vinha acumulando algumas raivas no peito. Raiva de ver nos jornais escândalos de corrupção, julgamentos onde os culpados são absorvidos, inflação voltando, preços subindo, salário rendendo menos. Aguentava tudo calado, triste, resignado. Para completar, passagem do ônibus mais cara. O ônibus atrasado, quebrado, desconfortável, lotado, às cinco da matina. Foi a gota d'água. Era só o que faltava para que o rio transbordasse.

É, a FIFA deve estar abismada com a gente. Aposto que não viverei o suficiente para ver outra copa do mundo ou Olimpíada no Brasil, e olha que ainda tenho muitas décadas de vida!



Mas isto que está acontecendo é uma coisa simplesmente linda, é a mais pura expressão da cidadania, pois governo até então não sabia - ou fingia não saber, o que acho mais provável - que estávamos completamente insatisfeitos. Diziam que o jovem de hoje vivia distraído pela TV e pela internet, que não tinha opinião, que era alienado. Não, não somos nada disso, e estamos provando pra todo mundo! Somos altamente interessados por política, temos o desejo de um futuro melhor!
No meio disto, posso destacar dois momentos muito bonitos... O primeiro foi, com certeza, na noite da segunda-feira passada, 17 de junho, quando os manifestantes em São Paulo foram saudados com uma chuva de papel pelos moradores dos prédios da Avenida Paulista. Era a primeira vez que os protestos eram apoiados por alguém que estava de fora. E o segundo, em Goiânia, na noite de quinta, dia 20, um DJ colocou o nosso Hino Nacional para tocar numa caixa de som, na janela, para os manifestantes que passavam, que pararam sua passeata para cantas o hino lá embaixo.

Não posso me esquecer que os atos de vandalismo - praticados por pessoas infiltradas nas passeatas, com o único objetivo de saquear lojas e depredar o patrimônio público e privado - têm ofuscado a beleza da união do nosso povo. Estes merecem toda a repressão da polícia, sem excessos, é claro, mas precisam ser punidos judicialmente, pagar pelos prejuízos causados ou cumprir outras medidas punitivas.

Eu gostaria muito de estar participando desse movimento tão bonito, de estar fazendo alguma coisa pelo futuro do meu país, mas infelizmente ainda sou menor de idade, e minha mãe considera perigoso que eu saia de casa para ir pras ruas, sozinha, sem saber se poderei voltar. Então, manifestantes, por mim, que não poderei me unir a vocês, continuem lutando, não percam o foco, sentem-se no chão para se diferenciarem dos vândalos, e não parem! Sou contra a PEC 37, a favor de melhorias na educação, na saúde e no transporte! Por favor, menos Pão e Circo!







Que orgulho devem estar sentindo os caras pintas de 92 - passados vinte e dois anos - da juventude de hoje!



segunda-feira, 17 de junho de 2013

Uma Linda Aquarela




E aproveitando que falávamos de Vinícius, eu gostaria também de estender minha homenagem a uma canção interpretada por outro grande poeta, Toquinho, uma canção que ouvi pela primeira vez ainda criança, e nunca deixou de gerar curiosidade em mim, e acho que em todas as outras pessoas que a ouviram: Aquarela.
O site oficial de Toquinho conta a história desta bela composição (confira aqui), fruto de uma parceria entre Toquinho e o músico italiano Maurizio Fabrizio, que juntos compuseram músicas para quatro discos entre 1983 e 1994. Mas não estamos aqui para isso. O que pretendo é passar ao leitor a impressão que sinto toda vez que a ouço.
Os quatro versos que compõem a primeira estrofe já são o suficiente para mexer com nossa imaginação. Desenhar talvez pareça um hábito infantil, para alguns, mas desenhar figuras como as descritas na canção, de forma tão simples, porém com todo o encanto que se vê na mente de uma criança, com certeza não é nem um pouco infantil.
A parte que mais me toca talvez seja aquela que nos traz o futuro como uma perspectiva vindoura, mas ao mesmo tempo imprevisível, que não se sabe quando virá, mas para a qual devemos estar preparados.

Mas qual seria a verdadeira magia de Aquarela? Sua simplicidade, talvez? Sim, mas não sozinha. O que mexe com as pessoas nesta canção é não só a simplicidade, mas o fato de trazer de volta toda a inocência e imaginação características da infância, referentes a uma época remota e distante, da qual todos nós de certa forma, temos uma imensa saudade, uma nostalgia pelo fato de ser um tempo ao qual não poderemos mais voltar, pois quando envelhecemos, simplesmente "descoloriu"... Ela vai nos trazendo, aos poucos, pedaços de um mundo infinito, repleto de possibilidades e cheio de beleza, que até o fim do último acorde emana em nossas mentes.
 



 
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...

Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...

Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...

Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...

Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...

Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...

Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...

De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...

Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)