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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Janela dos Olhos


Janela dos Olhos



Janelas tem algo mágico:
Pela janela que olho agora
Vejo um céu azul
E uma construção que vigora.

A vida é uma casa,
De compridas paredes amarelas:
Em cada parede, dos quatro lados,
Se estendem um montão de janelas.

Tem gente que numa delas,
A que aponta para o sul,
Vê uma revoada de pássaros
Num céu límpido e azul.

Outros rostos sem sorriso
Veem nas janelas do norte
Nada além de um mundo cinza
No choro da chuva forte.

Há quem veja em sua janela,
O olhar cansado e sofrido,
Nada de importante,
Um vazio sem sentido.

Em outras janelas se vê
Uma vitória vigorosa
Em cada diz conquistado
Com luta corajosa.

A casa, a janela dos olhos,
Lembranças de como enxergamos
O mundo ao redor
E a vida que levamos.

É que cada um tem sua janela,
Vê desse ou daquele jeito
E fora da casa, para alguns,
O mundo pode ser perfeito.

Lethycia Dias
Goiânia, 29 de outubro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Não Me Faça Parar de Escrever!

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Não Me Faça Parar de Escrever


Não me faça parar de escrever!
Que outra coisa não quero fazer,
Não sei e nem vou aprender
Outra coisa que não conhecer
Pelo papel o que não posso dizer
Pois quem ouvisse não iria entender.
Se hoje todos nascemos por nascer,
Quero então diferente ser
Ir e dar meia-volta volver
Contemplar o mundo e crescer,
Ver o fascínio que ninguém pode ver
Da vida do próximo e depois perceber
Que para isso não me basta só ler
Por isso tenho que sentir e viver
E a fantasia do verbo fazer
E que ninguém mais venha me interromper.
Não me faça parar de escrever!
Ou o colorido da vida vou perder
Tenho que seguir até não mais poder
Até o limite minha mão doer
Até das palavras a cabeça se encher
Até o coração não mais bater
Até a alma de vez enlouquecer...
Só vou parar quando morrer!

Lethycia Dias
Goiânia, 22 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Desabafo




Desabafo


Ela é o meu reflexo:
Olhando-a como lagoa cristalina
Vejo todo o meu espírito velho
Em corpo de menina.

Ela é meu ataque e defesa
Fruto de um silêncio cruel e devastador
Quando me isolo do mundo
Semeando ódio ou amor.

Tenho dependido dela exclusivamente,
Só Deus sabe o quanto –
Ela me acolhe num abraço
E assim não caio no pranto.

E se nele eu acaso cair
Com um círculo o papel se manchará,
E saberão que não estou mentindo
Pois uma prova haverá.

Nessa dor em que me encontro
Ela vem como o grito mais profundo,
Em agonia um desabafo
Da minha revolta com o mundo.

Lethycia Dias,
Goiânia, 10 de outubro de 2012